segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Um dia cansativo e improdutivo



Se você já passou dos 40, possivelmente vai se identificar com o personagem do dia absolutamente improdutivo, descrito abaixo.

Sinceramente, você terá a sensação de que passaram o dia lhe filmando, como no Big Brother, tal a conincidência com a sua rotina.

Mas não se desespere: possivelmente você tem a Síndrome de Desordem da Atenção Deficitária na Idade Avançada, e já tem remédio pra isso.

O texto vai na primeira pessoa: foi enviado por um cliente do Bar de Ferreirinha que, apesar da gravidade, se diverte com a situação:

1. Outro dia decidi lavar o carro; peguei as chaves e fui em direção à garagem, quando notei que tinha correspondência em cima da mesa.

2. OK, vou lavar o carro, mas antes vou dar uma olhadinha, pois pode ter alguma coisa urgente.

3. Ponho as chaves do carro na escrivaninha e, olhando o correio, vejo que tem algumas contas para pagar e muita propaganda inútil: decido jogás-la fora, mas vejo que o cesto de lixo está cheio.


4. Então lá vou eu esvaziá-lo. Coloco as contas sobre a escrivaninha, mas lembro-me que há um banco eletrônico perto de casa e vou primeiro pagar as contas.

5. Coloco o cesto de lixo no chão, pego as contas e vou em direção à porta.


6. Onde está o cartão do banco? Ah, no bolso do casaco que vesti ontem.


7. Ao passar pela mesa de jantar, olho para uma cerveja que estava bebendo. Vou buscar o cartão, mas antes vou guardar a cerveja na geladeira.


8. Vou em direção à cozinha quando noto que a planta no vaso parece murcha: é melhor por água nela antes.


9. Coloco a cerveja na mesa da cozinha, quando... Ah! Achei os meus óculos! Estava à procura deles há horas! É melhor guardá-los já!


10. Pego um jarro, encho-o de água e vou em direção ao vaso.


11. Deixaram o controle remoto da televisão aqui em cima! À noite quando quisermos ligar a TV, ninguém vai se lembrar de procurar na cozinha. É melhor levá-lo já para a sala. Mas...


12. Ponho os óculos sobre a mesa e pego no controle remoto.


13. Coloco a água na planta, mas caiu um pouco no chão. Deixo o controle remoto no sofá e vou buscar um pano.


14. Vou andando pelo corredor e penso que precisava trocar a moldura do quadro.


15. Estou andando e já não me lembro o que é que eu ia fazer!!!


16. Ah! Os óculos... Depois! Primeiro o pano. Pego nele.


17. Vou em direção ao vaso, mas vejo o cesto de lixo cheio.


18. Fim do dia: o carro continua por lavar, as contas não foram pagas, a cerveja está lá, quentinha, a planta levou só metade da água,não sei do cartão do banco nem onde estão as chaves do carro!


19. Quando tento entender porque é que não fiz nada hoje, fico atônito, pois estive ocupado o dia inteiro!


20. Percebo que isto é uma coisa muito séria e que tenho que ir ao médico. Mas antes, acho que vou ver o resto do correio...


O remédio?

Rir!

Hora do recreio


Mudança de ares, que ninguém é de ferro.

Rainel Bocão (membro do Conselho Editorial), Eliane e Junhão de Espoleta curtem um repiau no Box 32, um dos botecos mais charmosos de Floripa, Santa Catarina, com 14 graus centígrados de temperatura.

Brrrrrrrrrrr!!!!

Foram passar o fim de semana e retornam hoje, trazendo novidades para o Bar de Ferreirinha.

Rainel continua solteiro.

Diário de um cruzeiro marítimo ou...

Como salvei 1.600 pessoas de um novo Titanic

1º Dia
Querido diário, estou ansiosa para fazer este maravilhoso Cruzeiro que ganhei de presente do meu marido. Vim sozinha e trouxe na mala as minhas melhores roupas. Estou excitada!!!

2º Dia
Estivemos todo o dia navegando. Foi lindo e vi alguns golfinhos e baleias! Que viagem maravilhosa estou fazendo! Hoje me encontrei com o Capitão, que, por sinal, é um belo homem!

3º Dia
Hoje estive na piscina. Fiz também um pouco de jogging e joguei minigolfe. O Capitão me convidou para jantar em sua mesa. Foi uma honra e a noite foi maravilhosa.Ele é um homem muito atraente e culto.

4º Dia

Fui ao Cassino do navio! Tive muita sorte, pois ganhei R$ 1.800. O Capitão me convidou para jantar com ele em seu camarote. A ceia foi luxuosa com caviar e champanhe. Depois de comermos ele perguntou se eu ficaria em seu camarote, mas recusei o convite. Disse a ele que não queria ser infiel ao meu marido.

5º Dia
Hoje voltei à piscina para me bronzear um pouco. Depois, decidi ir ao Piano Bar e passar ali a tarde. O Capitão me viu e me convidou para tomar um aperitivo. Realmente ele é um homem encantador. Perguntou-me de novo se eu queria visitá-lo em seu camarote naquela noite. E eu lhe disse que não, que era casada! Então ele falou que se eu continuasse respondendo não, ele iria afundar o navio! Fiquei aterrorizada!

6º Dia
Hoje salvei 1.600 pessoas... três vezes!!!

Homens que andaram sobre as águas

Apenas três homens andaram sobre as águas em toda a história da Humanidade:

O primeiro foi Cristo, o segundo foi Pedro e o terceiro foi Ivangivaldo.

Ivangivaldo?

Quem danado é Ivangivaldo???

É o cara da foto abaixo!

domingo, 30 de agosto de 2009

Dilema shakespeariano alcoólico



Nossa leitora e cliente, Silvana P. Dias manda uma interessante reflexão, quase um dilema shakespeariano, própria para estes dias de culto incessante ao corpo: por que será que é mais fácil frequentar um bar do que uma academia de musculação?

Para dirimir quaisquer dúvidas, durante uma semana ela foi aos dois.

Vejam as anotações e a conclusão (surpreendente ou óbvia, dependendo do ponto de vista de cada um), a que Silvana chegou, numa perfeita e bela analogia com uma partida de futebol:

Vantagem numérica
Existem mais bares do que academias, logo, é mais fácil encontrar um bar no seu caminho:
Bar 1 x 0 Academia

Ambiente
No bar, todo mundo está alegre. É o lugar onde a dureza do dia-a-dia amolece ao primeiro gole de cerveja. Na academia, todo mundo fica suando, carregando peso, bufando e fazendo cara feia:
Bar 2 x 0 Academia
Despojamento
No bar, ninguém fica reparando se você está usando o tênis da moda. Os companheiros do bar só reparam se o seu copo está cheio ou vazio:
Bar 3 x 0 Academia

Reconhecimento
Você já ganhou alguma saideira na academia? Alguém já te deu uma semana de ginástica de graça? No bar, evidentemente, você já ganhou uma cerveja por conta da casa.
Bar 4 x 0 Academia

Liberdade
Você pode falar palavrão na academia? No bar pode:
Bar 5 x 0 Academia

Democracia
No bar, você pode dividir o espaço com outra pessoa do sexo oposto ou do mesmo sexo. Na academia, dividir um aparelho dá até briga...
Bar 6 x 0 Academia

Saúde
Você já viu um freqüentador de bar reclamando de dores musculares, joelho bichado, tendinite? Na Academia, viiiixe!
Bar 7 x 0 Academia

Saudosismo
Alguém já ouviu a música romântica preferida na academia? É só 'bate-estaca', né não?
Bar 8 x 0 Academia

Emoção
Onde você comemora a vitória do seu time? No bar ou na academia?
Bar 9 x 0 Academia

Memória
Você já aprontou algo na academia digno de contar para os seus netos?
Bar 10 x 0 Academia

Goleada!!!

Todos para o Bar de Ferreirinha!

Balão de ensaio

No Bar de Ferreirinha, dia desses, conversa entre vários amigos, alguns já bêbados.

O sempre bem informado, polêmico, bom de briga e urtigão Orlando Caboré Rodrigues, lulista de acreditar que Lula realmente não sabe de nada (mensalão, etc), joga o balão de ensaio pra sentir o ambiente:

- Lula confessou aos amigos que quer ser lembrado pelo seu 2º mandato como um grande estadista, tal como Getúlio Vargas!

Pituleira, bêbado de juntar menino, manda um cruzado de direita na ponta do queixo:

- Beleza, mas quando será o suicídio?

Cabora foi a nocaute.

Reflexão de domingo

Hora do recreio


Carnaval 2007, sexta-feira, concentração no Bar de Ferreirinha para o desfile do Bloco As Virgens, concentração majoritária de homens vestidos de mulher.

A fuleiragem já tinha começado: é só perceber que a lente da câmara fotográfica estava suja de farinha de trigo.

Enquanto o bloco não sai, Janduí Fernandes, Pituleira, Wellinton Araújo, Roberto Guarda (já devidamente paramentado para o desfile), Dadá Costa e Arakém tomam uma.

Depois, todo mundo caiu na gandaia, nas Virgens e no Bloco do Magão.

sábado, 29 de agosto de 2009

Bar de Ferreirinha atravessa fronteiras

Arakén Almeida na Hungria, no boteco,

com a proprietária Elena Kozaovozky

Do integrante do Conselho Editorial do Bar de Ferreirinha, Arakén Almeida, recebemos e-mail sobre a repercussão do blogue na Hungria.

Abaixo, texto de Arakén encaminhando foto (ele com Elena) e notícia - em húngaro, traduzida para português - de uma admiradora do Bar, que também tem o seu boteco. Quer dizer, boteco não: é um pub dukaralho!

Confira:

Caros editores:

Em anexo foto com uma amiga dona de um SÖRÖZO (boteco em húngaro) que frequento no exterior, sempre que oportuno. É fã do nosso blog e admira imensamente os "leros" do Bar de Ferreirinha.

Abaixo uma mensagem dela para o blog, com a devida tradução.

Um abraço,

Arakén

Barátjaes Pituleira Roberto:

ajánlásait követően baráti Arakén hozzáférés napi blog "bardeferrerinha". Osztom veled pillanatait kikapcsolódást ez a kedves kocsmában fél Santana meghívására barátja Arakén, különösen Pituleira, akik szeretnének tapasztalatszerzés építeni a blog az én kocsma itt, Magyarországon.

Egy ölelés minden.

Elena Kozzaovozky

TRADUÇÃO

Caros Pituleira e Roberto: 
Depois das recomendações do amigo Arakén, acesso diariamente o blog "bardeferrerinha". 
Espero compartilhar com vocês momentos de descontração com os frequentadores deste maravilhoso boteco na Festa de Sant'Ana, a convite  do amigo Arakén, especialmente com Pituleira, com quem quero adquirir experiência para montar o blog do meu boteco aqui na Hungria. 
Um abração a todos. 
Elena Kozzaovozky.

A última apresentação de Tico da Costa

Possivelmente esta foi uma das últimas apresentações de Tico da Costa: o vídeo foi postado no youtube no dia 3 de julho, quando ele estava em turnê pela Europa.

Ele interpreta a música Estrelas, do disco Mar, em show realizado ao ar livre na cidade de Trento, Itália.

A banda era formada por Corrado Bungaro (violino), Emanuela Bungaro (viola), Tamara Rios (voz), Tico da Costa (guitarra e voz), Carlo Lamanna (Contrabaixo), Ireneri (percussão e voz) e Mauricio Ravanal (percussão e trompete).


RN de luto com a morte de Tico da Costa

Morreu hoje à tarde em Natal o cantor e violonista Tico da Costa, o artista norte-rio-grandense mais conhecido internacionalmente.


Tico era natural de Areia Branca, viveu em Natal, Recife, Rio de Janeiro, Assunção, Milão, Roma, Nova Iorque, onde tocou com Philip Glass.

Seu enterro será amanhã, às 15h00, no Cemitério Morada da Paz, em Emaús, às 15h00.

Ele estava lutando contra um câncer no pâncreas, diagnosticado há menos de dois meses na Itália, onde Tico fazia turnê.

Tico fazia mais sucesso no exterior do que no Brasil, principalmente na Itália, onde gravou vários LPs e CDs.

Estivemos juntos em várias ocasiões em Natal, ao lado do jornalista Roberto Homem, seu amigo e fã.

Pude desfrutar do seu talento ao vivo numa noite de vinhos, queijos e o seu violão fantástico em minha casa.

Em sua homenagem, o Bar de Ferreirinha republica uma entrevista que ele deu a Roberto Homem, do Jornal Zona Sul, em junho de 2005.

Roberto Fontes

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Entrevista: TICO DA COSTA


MY NAME IS TICO




Como misturar em um só texto nomes como Philip Glass, Caribé, Lina Wertmuller, Jô Soares, Peter Seeger e Gerald Thomas? Como falar de música nordestina, cinema, atentado ao World Trade Center e viajar por Natal, Recife, Nova York, Roma, Milão, Costa Rica e Paraguai em tão pouco tempo? As respostas para essas perguntas podem ser encontradas na entrevista que fizemos com o potiguar de Areia Branca, Tico da Costa.

No começo de junho, eu e o jornalista Costa Júnior recebemos o cantor, compositor, showman e excelente figura Tico da Costa para um jantar no restaurante Veleiros, na Praia de Ponta Negra. Durante quase uma hora e meia, Tico da Costa contou suas peripécias mundo afora. Queda das torres gêmeas, shows em Nova York, Itália, Alemanha... Amizades com personalidades das artes. Tudo isso você vai conferir a partir de agora. (Roberto Homem)



ZONA SUL – Como é seu nome verdadeiro? Como surgiu o Tico da Costa?
TICO – Meu nome é Francisco das Chagas da Costa. Lá em casa todos sempre me chamaram de Titico. Colegas de Areia Branca me chamavam Titico de Dijesu. Dijesu era meu pai: carteiro, violonista, contador de causos... Titico, aqui no Nordeste, é um diminutivo de Francisco. Resolvi assumir esse nome artístico. Na Itália, onde fui estudar violão clássico, gravei três compactos e um long play assinando como Titico. De volta ao Brasil, conheci uma figura muito interessante: o artista plástico baiano-argentino Caribé. Pouco tempo depois, fizemos uma viagem pela Itália. Eu e minha atual, única e contínua esposa, Sara, que naquela época era namorada, Caribé e Nancy. Visitamos aqueles museus italianos, conhecemos tudo. Ele também me chamava Titico. Até que um dia, Caribé me encaminhou uma carta que dizia, logo no começo, que ele tinha um assunto muito delicado para tratar comigo. Que ele falaria porque era meu amigo e o verdadeiro amigo era aquele que encostava o outro num canto de parede antes que algum inimigo o fizesse. Caribé disse: “olha, esse seu nome não dá certo”. Mas o argumento definitivo, aquele que me fez decidir trocar o nome, foi quando ele profetizou que quando eu casasse com Sara correria o risco de alguém chamá-la de Titica (risos). Senti-me o verdadeiro “Bosto” naquele momento. Foi uma pena, porque eu tinha até inventado uma assinaturazinha tão bonitinha... Escrevia um traço assim e botava dois pingos em cima. Perfeito. Mas não foi fácil. Eu tinha vários discos gravados, um certo nome na Itália, e estava sendo obrigado a mudar.

ZONA SUL – Foi aí que você resolveu assumir o Tico da Costa?
TICO – Não! Depois de noites e noites pensando, resolvi adotar o Chico da Costa como nome artístico. Até compus uma música, gravada em um long play na Itália, me apresentando: “Meu nome é Chico / E feito nordestino xique-xique me criei / O que por fora é seco / Por dentro haja água / Chico, Chico é cheio”. Mas lembrei que já tinha o Chico Buarque. A concorrência seria dura. Outro motivo para eu desistir rapidamente desse novo nome foi que parecia que tinha um xique-xique dentro de mim. O nome espinhava. Troquei para Francisco da Costa, mas não demorou muito, porque ficou muito clássico. Meus amigos me chamaram de doido, acharam horrível. Enfim, como eu era inscrito na Sociedade de Autores Italianos com o nome Da Costa (lá eles adotam o sobrenome), resolvi conservar esse pedaço para facilitar na hora de cobrar direito autoral. Foi quando optei pelo Tico da Costa. Um dia conheci Peter Seeger - importante artista folk americano, responsável por ter levado a música Guantanamera para aquele país e compositor de sucessos internacionais como Date me un martelo, que Rita Pavone gravou. Ele ficou fã de uma música minha: Ana Bandolim. Peter Seeger é o Luiz Gonzaga norte-americano, ele foi mentor de nomes como Bob Dylan e Joan Baez. Toca banjo. Fizemos vários shows juntos. Um dia ele me mandou um cartão com os dizeres “We are here” (Nós estamos aqui), com um desenho da Via Láctea e um pontinho apontando a localização da terra. Logo que olhei, pensei: a terra não é mais do que a metade de um tico! Eu tenho é que ficar orgulhoso com esse nome, pois eu vivo num tico. Situação parecida ocorreu quando fui a Costa Rica. Os costa-riquenhos são chamados de ticos. Todo mundo é tico por lá. É como brasileiro aqui.

ZONA SUL – Como era sua vida em Areia Branca e como se deu a descoberta musical?
TICO – Uma irmã minha ganhou de presente um violão. Ao todo, tenho 15 irmãos. Somos oito homens e oito mulheres. Meu pai, Dijesu Paula, era um carteiro conhecidíssimo e queridíssimo em Areia Branca. Ele entregava uma carta e contava uma piada. Morreu em 1992. Toda a família dele, de ambos os lados, tinha músico. Meu pai tocava violão. Foi olhando pra ele que vi os “lás” menores, o mi... Minha irmã ganhou o violão, mas nem triscou. Mas eu e meus irmãos caímos em cima do instrumento. Meu pai - que estava sem violão há muito tempo porque minha mãe tinha vendido para ver se ele deixava de farrear, e ele deixou mesmo de beber – voltou a tocar de novo. A gente fazia fila pra tocar. Literalmente. Meu irmão mais velho começou a aprender violão com um professor que estudava violão clássico por correspondência. (risos). Meus primeiros acordes aprendi com meu pai e com Mirabô Dantas, que vivia tocando pelas ruas de Areia Branca. Eu olhando, perguntando, enchendo o saco. E Mirabô fazendo aqueles acordes de dissonância. Eu e meus outros irmãos, só olhando, já aprendíamos. Era a maior briga, mas a gente trocava figurinha. Um ensinava ao outro. Mas aconteceu uma coisa interessante, da natureza mesmo. Desde que aprendi os primeiros quatro acordes, comecei a compor. Eu tinha 13 anos. Eu fazia letra e música, tudo junto.

ZONA SUL – Então, depois disso, você mudou-se para Natal...
TICO – Minha intenção era estudar. Naquela época eu cantava músicas de Roberto Carlos, Jerry Adriani, muito iê-iê-iê... Eu chegava aos clubes e me oferecia para cantar. Além do repertório conhecido, eu incluía uma, duas músicas minhas também. Lembro de uma ocasião em que me apresentei, na Lagoa Manoel Felipe, em um programa produzido por Jota Belmont para a Rádio Cabugi, que era transmitido para todo o Rio Grande do Norte. Eu ia cantar duas músicas de minha autoria. Quando me fui acertar minha participação, Jota Belmont disse logo: “Titico? De jeito nenhum. Seu nome vai ser Luís Augusto!”. Eu até tinha esquecido que tinha usado esse nome também, durante algum tempo na vida. Mas cantei nesse programa e foi um barato. Naquela época era considerado original um cara cantar composições próprias.

ZONA SUL – E os estudos?
TICO – Fui estudar na Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte, que já funcionava lá no cruzamento das avenidas 15 e Salgado Filho. Era muito longe. Comecei a participar de festivais, a me envolver mais ainda com a música. Eu tinha até algumas composições com algum teor estético. Eu ouvia Edu Lobo cantando naqueles festivais e tentava fazer parecido, mas muitas das letras que escrevia, nem eu mesmo entendia o significado. Uma delas era assim: “Eu não sei o que devo fazer / Como posso explicar / Se eu devo dizer, se eu devo calar / Eu vou cantar, eu vou cantar sem protestar / A vida pra uns foi feita pra sofrer / É difícil às vezes conseguir viver / Mas pra outros a sala se clareia (eu via a sala assim, o sol entrar e botava na letra) / Sacudir o pano tirando a areia / Depois acabou canseira, acabou canseira / Olá, olé, olá, olé, olá, olé / Porém Deus sabe o que faz, sabe o que diz / Sabe que eu fiz sem maldade / Não querendo falar de igualdade / Não querendo dizer nem calar / Sabe da necessidade que eu tive para cantar”.

ZONA SUL – Você passou quanto tempo em Natal?
TICO – Fiquei dos 15 aos 19 anos. Nesse período conheci Lourdes Guilherme, professora de artes da ETFRN. Depois que ouviu algumas de minhas composições, se ofereceu para tentar conseguir uma bolsa na Escola de Música. E conseguiu. Como não tinha lugar para violão, passei a estudar contrabaixo. Que coisa horrível! Mas depois consegui transferência para Recife. Lá, fui estudar violão clássico. Fiz parte de um grupo ligado à Igreja católica quando fiz shows pelo Nordeste todo, tanto nas capitais como em alguns municípios do interior. Chamava-se conjunto Gen Cântico Novo. Pertencia ao chamado movimento Focolares. Eu tinha inventado uma história de um monstro, no violão. Imitações que faço no violão que me renderam muitos concertos pelo mundo afora. Eu induzo as pessoas a imaginarem. Vou contando a história e o público vai se envolvendo. Um cara vai à lua, volta num foguete. Tem Frankenstein atrás dele. Tem banda de música, tem escola de samba, tem soldado marchando.

ZONA SUL – Como foi o salto de Recife para a Itália?
TICO – Certo dia um pintor italiano foi expor em Recife. A exposição tinha 21 quadros. Olhei todos eles e propus ao artista para a gente fazer uma mistura de show com exposição. Falei que comporia uma música para cada quadro. Ele fotografaria cada uma das telas e projetaria na parede através de slides, enquanto eu cantava. Sugeri a ele que seria mais fácil para vender as obras. O italiano gostou da idéia e topou. Na mesma hora, um amigo meu que estava lá, me chamou, me trancou em um quartinho e disse que eu só sairia depois que compusesse todas as músicas. Isso foi por volta das 7 da noite. As 11 e pouco, eu tinha terminado todas as músicas. Poucos dias depois eu estava cantando na exposição. Foi um sucesso. O pintor disse que quando eu fosse à Itália o avisasse para fazermos o mesmo em Milão, Gênova e Turim. E assim aconteceu. Fui a Roma com 21 anos participar de um Congresso Internacional de Jovens. O programado era passar um mês. Comecei a tocar e a cantar e insistiram para eu permanecer mais tempo. Fiquei cinco meses. Gravei três compactos. Isso foi em 1972.

ZONA SUL – Esses discos foram gravados de forma independente?
TICO - Gravei por uma editora chamada Cittá Nuova. Eles até publicaram na revista que mantinham uma reportagem de várias páginas comigo, com direito a foto na capa e tudo o mais. O texto contava minha trajetória, desde o primeiro show em Grossos e o segundo, que foi um desastre: não tinha ninguém! Mas o primeiro compacto surgiu quando apareceu um produtor na minha casa dizendo que tinha ouvido falar que eu tinha umas músicas bonitas e que ele gostaria de escutá-las. Quando comecei a cantar, ele gostou logo de cara e passou a traduzir para o italiano. Foi assim que surgiu a oportunidade de gravar o primeiro compacto. Ainda nessa viagem fui ao encontro do pintor que tinha conhecido em Recife e fizemos vários concertos misturados com exposição. Depois voltei para Recife, estudei pra caramba, prestei vestibular para Letras, passei e entrei na universidade. Mas não terminei o curso. Tive uma grande decepção. O currículo era horrível, não tinha nada do que eu queria fazer. Minha intenção era estudar literatura para enriquecer o meu dom, o meu talento. Minha vontade de prosseguir no curso foi definhando, mas mesmo assim ainda agüentei dois anos. Foi quando surgiu a oportunidade de voltar para Roma. Voltei em agosto de 1974. Tranquei a matrícula na faculdade imaginando que passaria seis meses fora. Fiquei quase dez anos.

ZONA SUL – O que de mais expressivo aconteceu nesse período na Itália?
TICO – O principal foi conhecer Sara, minha esposa. Ela é paraguaia. Seus pais estavam trabalhando na Itália. Ela foi minha aluna de violão na Embaixada do Brasil, em Roma. Hoje é consultora da ONU. Foi a melhor aluna que tive. Até hoje lembra das harmonias que eu ensinava. Sara poderia ser qualquer coisa no meio artístico: dançarina, violonista, cantora... Ela tem um talento impressionante. Outra coisa importante foi eu ter me descoberto - sem querer, sem saber e sem pretender – como um showman. Não é fácil chegar, como cheguei, diante de 700 pessoas, por exemplo, só com o violão. O violão e um microfonezinho, na Alemanha, na Áustria, cantando a minha música em português. Naquela época quem era famoso era Vinicius de Moraes, Baden Powell, Tom Jobim e Dorival Caymmi, além de Chico, que estava começando. Pensei: desconhecido por desconhecido, vai Titico. Eu cantava minhas músicas e botava o pessoal pra cantar comigo. Era abusado. Essas experiências me deram muita cancha. Você deve encarar o público como uma pessoa. Recentemente cantei em um festival no Ibirapuera, em São Paulo, para 9 mil pessoas. Pra mim é como se estivesse cantando para apenas uma. Botei todo mundo pra cantar uma música que eu tinha feito uma semana antes. Há profissões em que você tem um abismo, sabe que está num abismo, mas tem que correr o risco. Quando você encara uma platéia, sabe que tem um abismo ali e que você pode se lascar, se dar mal, mas também pode se dar muito bem, porque você está no alto, você é líder, você tem carisma, você tem o momento, a graça. Não tenho muito medo desses abismos.

ZONA SUL – E com relação aos contatos importantes que manteve na Europa?
TICO – Um contato importantíssimo foi com a Lina Wertmuller. Ela é a Fellini feminina. É muito estimada nos Estados Unidos, chega a ser idolatrada. O fato de eu ter composto músicas com ela, de ter trabalhado com ela, me rendeu muita credibilidade nos Estados Unidos. Em determinada ocasião, surgiu a oportunidade de eu fazer, na Itália, a trilha sonora para um filme que ela dirigiria: Tieta do Agreste, com Sophia Loren e grande elenco. Eu também estava escalado para fazer uma cena, como ator, tocando uma música. O problema é que quem estava financiando era Roberto Calvi, do Banco Ambrosiano. Só que, antes dos contratos serem assinados, ele apareceu enforcado. E o filme foi para o espaço. Na mesma época, Sara, então minha noiva, tinha decidido fazer faculdade no Rio de Janeiro. Com o fracasso do filme, antecipei minha volta para o Brasil. Com residência fixa no Rio, passei a viajar pela Europa e pelos Estados Unidos, para fazer meus shows. Gravei um CD nos Estados Unidos, chamado Brasil Encanto. Mais ou menos nessa época foi que conheci uma figura que representou muito para minha carreira: Philip Glass.

ZONA SUL – O músico minimalista Philip Glass é considerado um pop star e autor de trilhas sonoras importantes na história do cinema. Como você o conheceu?
TICO - O conheci quando morava no Rio. Eu já tinha casado com Sara e já tínhamos nosso primeiro filho. Um dia, tocou o telefone: era um amigo meu chamado Bernardo Palombo, um argentino que eu tinha conhecido nessas minhas incursões pela Itália e Estados Unidos. Ele contou que estava com Philip Glass. Confesso que eu nem o conhecia. Bernardo falou que Philip gostaria de ir ao Brasil fazer anotações para o próximo filme que iria musicar: Pawaqatsi. Ele já tinha escrito Koyaanisqatsi. Apesar de eu não conhecê-lo, Philip já era muito famoso, conhecidíssimo. Bernardo disse que me indicou como cicerone deles, para viajar pelo Brasil e mostrar as músicas do país. Aceitei. Fomos ao Amazonas, viajamos pela floresta. Philip sempre fazendo anotações, bem calado. Nesta época, em 1984, eu tinha ojeriza ao inglês. Não falava nem good night, não gostava. Então eu me comunicava com Philip através do meu escasso francês. Na volta, no Rio, Philip Glass falou que Bernardo tinha lhe contado que eu tinha umas músicas muito bonitas. Ele pediu para escutá-las. Organizei um jantar na minha casa. Ele ouviu várias canções. Eu toquei Ana Bandolim. Philip escutou e ficou louco. “Você roubou essa canção de Rossini, seguramente”, disse ele brincando. “Não é possível que você tenha feito essa música”, insistiu. No meio da conversa perguntei a ele como um artista brasileiro poderia ficar famoso nos Estados Unidos. Ele disse: “tem que semear um ano e, no segundo ou no terceiro é que você começa a ver o resultado”. Eu pensei: “estou lascado, não tenho chance”. Philip insistiu: “você tem que ir no mínimo uma ou duas vezes por ano lá”. Terminou me convidando para ir aos Estados Unidos e ficar hospedado na sua casa. Pediu que eu telefonasse duas semanas depois. Nesse meio tempo, ele contataria uma amiga dele que conhecia todos os pubs. Ela iria me apresentar. Quinze dias depois, liguei. Philip disse que eu podia ir, mas que a amiga dele não poderia me atender porque tinha estourado no hit parade. Era Suzane Vega, que tinha estourado com a canção My name is Luka. Fui mesmo assim. Fiquei hospedado na casa de Philip. Faz 20 anos que eu vou aos Estados Unidos e sempre fico hospedado na casa dele.

ZONA SUL – Você chegou a morar nos Estados Unidos ou ficou sempre indo e vindo?
TICO – Teve ocasião de eu passar nove meses lá. Em outras vezes, passei cinco, seis, sete meses. Quando me perguntam se morei nos Estados Unidos, não é mentira eu dizer que morei, porque morei mesmo. Continuo indo constantemente lá.

ZONA SUL – E nos Estados Unidos o que teve de maior expressão na sua carreira?
TICO – Consegui uns trunfos únicos. Eu tenho um currículo muito estranho, que poucos artistas têm aqui. Fiz vários concertos por toda a Europa e outros tantos nos Estados Unidos. Recebi críticas favoráveis no New York Times (duas vezes) e em outros jornais norte-americanos. Cantei no Town Hall, abri show para João Bosco, me apresentei junto com Paquito d’Rivera (saxofone), Toninho Horta, John Patitucci (o maior baixista do mundo) e Peter Seeger, que nos Estados Unidos é muito famoso e muito apreciado. Peter Seeger não é só uma figura de banjo, do folclore; ele é o folk music lá. Foi ele quem lançou Guantanamera nos Estados Unidos. Também tem vários hits parades como Date me un Martelo, que Rita Pavone gravou. Mas Peter Seeger também é estimado por sua importância política, por ser uma figura contestatória. Quando os Estados Unidos estavam guerreando contra o Japão, por exemplo, ele casou com uma japonesa. Foi preso político, sempre foi comunista. Foi o precursor da ecologia. Peter Seeger começou a limpar o Rio Hudson, em Nova York, há mais de 40 anos, com um barco. Ele e Bob Dylan pedindo para ninguém jogar coisas no rio. Hoje você pode tomar banho no Rio Hudson, de limpo que é. Até hoje tem festivais de música no Rio Hudson, quando barcos ancoram com os artistas tocando e a cidade acompanhando, ouvindo música e as mensagens sobre a importância da preservação da natureza. Participei de vários deles.

ZONA SUL – Peter Seeger também foi importante para a sua carreira?
TICO – Imagine se Luiz Gonzaga, no auge de sua carreira, chamasse um africano, o colocasse no palco para cantar com ele. Se Luiz Gonzaga apresentasse esse desconhecido como um grande artista. Se cada um cantasse duas músicas de cada vez, se revezassem durante o show. Pois foi o que Peter Seeger fez comigo. Ele tocando banjo, cantando minhas músicas. Foi demais. Não existe isso! Mas aconteceu. Teve um show no Arizona, em Tucson, inesquecível. Fazia 25 anos que Peter Seeger não tocava lá. Os jornais passaram 15 dias noticiando o evento. Os mil ingressos oferecidos para o espetáculo no teatro esgotaram rapidamente. No palco Peter Seeger, eu e outro americano, um daqueles caras que participou do The Platters. Esqueci seu nome. Nós três em cima do palco. Eu lado a lado com aqueles dois monstros sagrados.

ZONA SUL – O que você está fazendo em Natal? Veio para morar?
TICO – Estou morando há dois anos na cidade. Depois de quatro anos em Recife, quase dez anos em Roma, sete anos no Rio e 12 anos no Paraguai. Depois que casei, quando morava no Rio, por causa da violência da cidade resolvemos ir para o Paraguai, onde os pais de Sara tinham voltado. Em 2001 fizemos uma viagem para procurar apartamento em Nova York, em julho. Depois voltei lá para gravar dois CDs que serão lançados ainda este ano: Lagartixa e Choro Suíte. Este último inclui somente chorinhos, é um disco instrumental. Quando estava gravando Lagartixa, no momento da gravação, as torres gêmeas caíram em Nova York. Eu estava num prédio em frente. Vou fazer uma comparação para você ter uma idéia: era como se eu estivesse na beira do Rio Potengi e as torres desabassem na Redinha. Eu estava no 22º andar. Tinha um rio no meio. Mas eu vi tudo. Engraçado é que eu tinha tocado meses antes no 105º andar do World Trade Center, tinha feito um show lá. Também já tinha me apresentado entre as torres, junto com Philip Glass. Dez dias antes das torres caírem, passei entre elas, bati em uma e disse “meu Deus do céu, isso jamais vai cair”.

ZONA SUL – Para quem saiu do Rio fugindo da violência encontrar uma coisa dessas deve ser assustador.
TICO – Já em julho, eu e Sara tínhamos farejado perigo ali. Durante a procura por apartamento chegamos à conclusão de que aquele não era um bom lugar para a nossa família. Não ia dar certo.
ZONA SUL – Quando as torres caíram, qual sua reação vendo aquilo tudo lá?
TICO – Claro que não vi quando o primeiro avião bateu. Mas todo mundo ficou perplexo, como eu. Até então não havia suspeita de atentado. Achávamos que era um incêndio, por causa daquele fogaréu e da fumaça preta. Imaginamos logo que os bombeiros não alcançariam os andares mais altos. Lembrei logo que dias antes eu tinha subido naqueles elevadores enormes. Meu produtor começou a ficar desesperado: “oh, my God!”, ele gritava. Peguei o telefone, liguei pra Sara, a gente morava então no Paraguai. Estava assombrada, pois tinha visto na TV. Disse que estava tudo bem comigo. Liguei para minha mãe, em Natal, também para tranqüilizá-la. Nisso, um amigo meu aqui de Natal, Leonardo Barata, deu meu telefone para a rádio e TV Cabugi e a TV Ponta Negra. Fui bombardeado por telefonemas da imprensa me pedindo para contar o que eu estava vendo. Quando eu estava falando com a minha mãe, a primeira torre caiu. Ficaram aquelas cinzas. Dez dias antes eu tinha batido na torre e, olhando entre elas, vi um beco. Imediatamente pensei no Beco da Galinha Morta, lá em Areia Branca. Um era igual ao outro, só era diferente a altura. Mas os dois eram becos. Além do desespero de ver aqueles prédios caindo, indescritível foi a tristeza que ficou pairando no ar por vários dias através daquela fumaça. Vários projetos de vida se transformaram em cinzas. A fumaça também tinha cinzas de pessoas. Eu só não sabia que até os meus CDs também estavam naquela fumaça. Philip Glass tinha escrito várias cartas, de próprio punho, para produtores. A Sony de Paris já tinha dado o OK para distribuir. Estávamos preparando os contratos. Mas o dono da Sony em Paris era um mulçumano. Logo que viu o que tinha acontecido, ele vendeu imediatamente sua parte na empresa. E nós ficamos vendo navios. Roberto Menescal, que também tinha recebido carta de Philip Glass e respondido com elogios ao meu CD, também não topou a parada sob a alegação de que depois do 11 de Setembro todos os negócios estavam parados.

ZONA SUL – Como foi sua participação no programa de entrevistas de Jô Soares?
TICO – Fui eu quem apresentou Philip Glass ao diretor de teatro Gerald Thomas, quando morava no Rio. Eles ficaram amigos. Philip até fez músicas para algumas peças de Thomas. Gerald foi quem sugeriu meu nome à equipe de Jô Soares. Eu morava no Paraguai. Pagaram passagens, e tudo, foi um barato. Cantei quatro músicas no Jô. Isso foi em 1996. Jô Soares embasbacou de rir com as canções. Minha carreira é mais internacional. Mas agora mesmo estou em estúdio gravando um CD em parceria com Diógenes da Cunha Lima, que contém canções minhas e letras dele. Tem um outro CD nosso também com canções sobre a festa de Natal. Também musiquei 70 poemas de um livro do jurista Ives Gandra Martins. O livro fala sobre o Rosário e as ladainhas, Nos tempos do Senhor. São sonetos lindíssimos. Já musiquei todos os sonetos, teve dia em que compus 14 músicas.

ZONA SUL – E a sua discografia? O que ela inclui?
TICO – Minha discografia enriqueceu muito depois que gravei nos Estados Unidos o meu primeiro CD: Brasil Encanto. Tenho certeza que vou dar um salto maior ainda a partir de setembro quando eu lançar nos Estados Unidos e na Europa os discos Lagartixa e Choro Suíte. Pretendo fazer muitos shows para divulgar os dois trabalhos. Mas até agora, ao todo são 16 discos gravados, incluindo elepês, compactos e CDs. Mais relevante do que gravar, é conseguir uma boa distribuição para seu trabalho. Não adianta gravar um CD como gravei esse aqui, Anjo da Selva, que ficou muito bonitinho e tudo, mas não tem força. Gravei em Natal, está super-bem feito, super-bem gravado, mas falta maior divulgação, uma melhor distribuição. Vou levá-lo para a Alemanha agora em agosto, mas ele chegará naquele país apenas através dos shows que farei por lá.

BAR DE FERREIRINHA - Comportamento


Namore um barrigudo
Nalva Gina*

Tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute! Na próxima vez que encontrá-lo, tente disfarçadamente descobrir como é sua barriga. Se for musculosa, torneada, estilo tanquinho, fuja! Comece a correr e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai por mim.

Homem bom de verdade, precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp. Se não, não presta. Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo, acabaram cultivando uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto. E eu digo por quê. Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma e provavelmente será engraçado mesmo. Já os tanquinhos farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores - e eu tenho dó das que caem.

Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco. Ou, pior ainda, um copo com gelo, pra beber a mistura patética de vodka com clight que trouxe de casa. E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação. E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar.

Você nunca irá ouvir um “Ah, amor, Quarteirão é gostoso, mas você podia provar uma McSalad com água de coco”. Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar. Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não matará um relacionamento. Se ele souber cozinhar, então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga. Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato. Pelo contrário, ficará feliz.

Outra coisa fundamental: homens barrigudinhos são confortáveis! Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível! Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho. Isso é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional.

Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo. Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico. E eles aprenderam a conversar, a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar. É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz.

*Psicóloga e consultora de estilo do Bar de Ferreirinha

Hora do recreio


No sentido horário, Chinicão, Danúbio Fernandes, Roberto Guarda, Ricardinho (em pé), Marlon Cunha e David Fernandes.

Foi o dia em que Chinicão esteve em Caicó, explicando a sua Antilei da Gravidade, que será inscrita no Prêmio Nobel de Física de 2009, e tem excelentes chances de ganhar.

Entre leros e risadas, uma cervejinha "gilada" porque o sol não estava de brincadeira...

Hotel high tech

Uma amiga caicoense fez sua primeira viagem a Dubai, destino favorito de 10 entre 10 novos ricos, remediados ou bregas.

Tudo era novidade, principalmente o tremendo hotel seis estrelas em que ela ficou hospedada.

Ao chegar à suite chiquérrima foi fazer um pipizinho: já estava nas últimas, quase mijando a calcinha de seda...

Sentou naquela luxuosa privada e, ao terminar, notou que não tinha papel higiénico!

Muito chateada, de dentro do banheiro mesmo, telefonou para a recepcionista bilingue:

- Minha filha...que absurdo! Um hotel dessa categoria sem papel higiênico? Como é que eu vou limpar a minha xotinha?

- Desculpe senhora, não usamos mais esse tipo de material em nossos hotéis...Por gentileza, veja o painel ao seu lado. Aperte o primeiro botão à esquerda.

A mulher seguiu as instruções.

Imediatamente um jatinho delicioso de água morna foi esguichado.

- Senhora, agora aperte o segundo botão, ao lado do primeiro.

Um ventinho quente rapidamente secou a xana.

- Que maravilha!

- Senhora, por favor agora aperte o terceiro botão.

Ela apertou, e sentiu uma borrifada de um delicioso perfume francês que foi lançado na direção da lasca.

Maravilhada com aquela tecnologia, não se conteve e exclamou:

- C a a a a r a a a a a l h o ! ! ! !

E a recepcionista imediatamente orientou:

- É no botão vermelho, senhora. Queira, por gentileza, especificar cor, comprimento e a espessura!

Representação gráfica da preferência nacional


(__|__)
Bunda perfeita


(_._)
Bunda de bebê


|__|__|
Desbundada


(::|::)
Bunda com celulite


(__@__)
Bunda de quem fez sexo anal-virtual


(__$__)
Bunda de puta de luxo


(__*__)
Bunda de quem tá com frio


(__.__)
Bunda de quem tá com muito medo


(__?__)
Bunda de quem não sabe o que vem por trás


(__o__)
Bunda pouco usada


(__O__)
Bunda muito usada


(__+__)
Bunda de crente


(______________0_______________)
Bunda da Mulher Melancia


(__|.|__)
Bunda arregaçada para exame de próstata


(__|o|__)
Bunda após o exame próstata


(__;__)
Bunda mal-lavada, birrosa


(__-__)
Bunda de japonesa


(__V__)
Bunda comportada de biquíni


(__Y__)
Bunda assanhada de fio dental


(((__)(__)))
Bunda mole


(__x__)
Bunda de mulher dizendo ao marido: "Não dou, nem invente! Nam!!!".

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

LUTO OFICIAL NO BAR DE FERREIRINHA

 

 

Morre Paulo Vaqueiro

 

Luto no Bar de Ferreirinha, no entorno do Mercado Público (ainda em ruínas), no Restaurante de Lesa e nas rodas de conversa fiada ao longo da Avenida Seridó.

 

É que Raimundo Paulo de Assis, mais conhecido como Paulo Vaqueiro, morreu ontem em Caicó, vitimado por uma parada cardíaca e complicações decorrentes de um tumor na cabeça.

 

Simples, homem do povo, autodenomidado "Prefeito da Cidade", Paulo Vaqueiro fazia discursos mirabolantes todos os sábados no programa Porque Hoje é Sábado, apresentado por Cláudio Sandêgi e transmitido pela Rádio Rural de Caicó.

 

Bem que Paulo Vaqueiro poderia ter sido prefeito mesmo: Caicó talvez estivesse bem melhor administrada.

 

No seu português rudimentar, ele dizia que adorava o Porque hoje é "Sabo", onde se apresentava caracterizado como vaqueiro.

 

O Bar de Ferreirinha se associa aos familiares e amigos de Paulo Vaqueiro na dor pela sua perda.

 

O seu sepultamento ocorrerá daqui a pouco, às 4 da tarde, no cemitério Campo Jorge.

 

A foto que ilustra esta matéria foi feita no dia 11 de julho de 2009, há exatos 50 dias, numa manhã de sábado altamente iluminada pela presença dele e de vários clientes do Bar de Ferreirinha.

 

 

 

Por que Roberto Carlos proibiu a sua biografia?

A biografia não autorizada Roberto Carlos em Detalhes, está praticamente extinta em todas as livrarias, principalmente por causa da censura e do embargo do próprio “Rei”, concedido através de ação judicial.

O livro foi escrito pelo pesquisador e fã Paulo Cesar de Araújo e hoje, em falta nas livrarias, é sucesso na internet: no Mercado Livre é possível encontrar um exemplar por até R$ 150,00, enquanto as versões em PDF (e-books) saem por cerca de R$ 15,00.

O Bar de Ferreirinha revela agora, com absoluta e total exclusividade, o motivo real que levou Roberto Carlos a pedir a proibição do livro.

É que numa das passagens da biografia, o autor narra um episódio ocorrido na Bahia que deixou Roberto Carlos profundamente constrangido.

Em decorrência do vexame, inclusive, surgiu o apelido "Rei".

A história é a seguinte:

"Na época da Jovem Guarda, e depois de várias tentativas, Roberto conseguiu convencer a cantora Wanderléia, ainda virgem e gatíssima, a acompanhá-lo a um motel luxuosíssimo em Salvador.

Só o prédio tinha seis andares.
Roberto ficou na suíte presidencial, no último andar, frigobar cheio, louco de tesão pela Ternurinha.

Os dois na cama, e já sem a perna mecânica, ele partiu para o ataque como um leão faminto sobre a mandada de bois.


Mas foi surpreendido por um pedido de Wanderléia:

- Beto, pode me pegar um copo de água? Tô morrendo de sede.


- OK, broto.
E lá foi ele, numa perna só, TUM, TUM, TUM... até o frigobar, pegou a água e voltou, TUM, TUM, TUM...até a cama.

Wanderléia bebeu a água e quando Roberto já ia se atracando com ela... novo pedido:

- Amor, você pode fechar a cortina? Tá muito claro e eu tô morrendo de vergonha.

E lá se foi o Rei, já meio invocado, TUM,TUM,TUM... até a janela e, TUM, TUM, TUM... voltando até a cama.


Agora, pau duríssimo, pronto para o ataque, novo pedido da Ternurinha:


- Você pode desligar o ar? Tá frio pra caramba aqui!

E ele, já puto da vida, TUM, TUM, TUM... foi até o ar-condicionado, desligou o aparelho, e voltou a jato, TUM, TUM, TUM, TUM, TUM... quase subindo nas paredes.


Ufa! Finalmente estava livre, mas...

TOC, TOC, TOC, alguém bate à porta!


Absolutamente transtornado, lá se foi Roberto, TUM, TUM, TUM... até a porta pra atender ao chamado.


E era o cara do apartamento de baixo:

- Porra, 'meu Rei', me responda uma coisa: tu veio aqui pra trepar ou pra pular amarelinha?"


Hora do recreio


Assinando o ponto semanal, Pompom e Cabano tomam uma bicadinha de cana, servidos por Ricardinho.

Pompom relaxa do serviço complicado de Agente Penitenciário, enquanto Cabano, com a feira feita, faz hora pra voltar a Jardim de Piranhas.

É dia de sábado no Bar de Ferreirinha!

A Coca-Cola é foda

Um casal de namorados decide transar de uma forma bem natural, ao ar livre, num pic-nic.

Pegam o fusquinha, vão até uma praia bem afastada, estacionam, prosseguem a pé e chegam até a uma praia linda e deserta.

Ele, bastante amoroso, estende a toalha e, como ventava muito, decide colocar uma garrafa de Coca-Cola em cada ponta da toalha para que ela não voasse.

Sentam e se beijam... fazem juras de amor...

Depois de um lanche, ele, cuidadoso, coloca a moça de quatro e põe uma venda nos olhos dela conforme o planejado.

Porém, na hora 'H', pereiro mais duro que badalo de sino, vê que esqueceu a camisinha...

- Amor, eu esqueci a camisinha. Vou correndo buscar, fique me esperando exatamente desse jeitinho.

E sai correndo até o carro pra buscar a camisinha.

Um bêbado vai passando pelo local e vê a cena, decide chegar pra confirmar o que os seus olhos estão vendo e... transa com a garota gostosamente, e ela não para de gemer.

Termiada a foda-relâmpago, o bêbado olha para as garrafas em volta da toalha e diz:

- A Coca-Cola é foda mesmo! Duvido que a Pepsi faça uma promoção dessa ...

A pior moradia do mundo


Você mora de aluguel? É infeliz?

Se a sua resposta foi positiva, então talvez lhe conforte saber que existem pessoas em situação muito pior do que a sua.

O inquilino que vive mais desconfortávelmente, sem nenhuma dúvida, é o espermatozóide.

Sabe por quê?

- mora com milhões de irmãos na casa do cacete;
- o apartamento é um ovo;
- o prédio é um saco;
- os vizinhos da frente, uns pentelhos;
- o de trás, só faz merda;
- e o proprietário quando fica duro bota todo mundo pra fora...

E você, morando no seu conjugadozinho de quarto/sala/banheiro, ainda reclama da vida?!?!

Ora, porra!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Chico Doido de Caicó, o lambe-lambe

Chico Doido de Caicó deu as caras hoje no Balaio Porreta.

Moacy Cirne, que tem parentesco com o cão, vez por outra psicografa uma mensagem do proseador/poeta caicoense, o mais raparigueiro dos nossos verseiros, falecido há 10 mil anos atrás.

Leia a entrevista-twitter feita pelo Balaio, que o Bar de Ferreirinha replica para os seus clientes e leitores:

DE UMA ENTREVISTA ETÍLICO-BALAIOGRÁFICA
COM CHICO DOIDO DE CAICÓ, EM 2004
P - Se vivo ainda fosse, você estaria fazendo o quê,
com seus 80 anos?
R - Em primeiro lugar, lambendo xibius; em segundo lugar, lambendo rapaduras; em terceiro lugar, não estaria lambendo o saco de ninguém. Sou caicoense dos bons, viu!?!

João Uchoa e a dieta da carne branca

João Uchoa: frasista, gourmet e embolador de lero

João Uchoa é cliente do Bar de Ferreirinha desde o tempo em que gay era fresco e puta era rapariga.

É espirituoso, frasista, contador de causos de primeira e bom de garfo.

Segundo João, há três coisas quase impossíveis de se encontrar:
- geladeira preta;
- genro com a foto da sogra na carteira; e
- filho de rapariga chamado Júnior.

Dia desses, com as taxas totalmente alteradas, Uchoa foi ao cardiologista João Forte, seu amigo de infância em Belém de Brejo do Cruz, e um dos mais renomados especialistas da região.

Forte analisou os exames de João e ficou preocupado com os valores da triglicerides, com o teor de gordura no sangue e o nível de colesterol: imediatamente recomendou uma dieta rígida, à base de frutas, legumes e carne branca.

- João, a partir de hoje e pelos próximos 15 dias, você só come carne branca - recomendou o cardiologista.
- Tá certo.

Duas semanas depois, João Uchoa volta a João Forte com o resultado dos novos exames, realizados após a quinzena da dieta.

Forte ficou escandalizado com as taxas!

Praticamente duplicaram em relação ao primeiro exame:

- João, você fez a dieta da carne branca que eu recomendei?

- Fiz, home: saí do consultório direto pro açougue, comprei três quilos de toucinho de porco bem branquinho e desde aquele dia é só o que eu como...

Hora do recreio


Vinícius Diógenes, Chico Tronco e Tronco Júnior, sob o pé de espinheiro do Bar de Ferreirinha.

Tomando uma e atualizando as conversas.

Foi no dia 11 de julho de 2009, uma prévia do Leilão de Sant'Ana na Granja Caiçara.

Quadrinha pra quem passou dos 70

Vô contá como é triste, vê a veíce chegá.
Vê os cabelo caíno, vê as vista encurtá.
Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá
Vê "aquilo" esmoreceno, sem força pra levantá.

As carne vão sumino, vai pareceno as vêia.
As vista diminuíno e cresceno a subrancêia.
As oiça vão encurtando, vão aumentano as orêia.
Os ovo dipindurano e diminuíno o tamáim da pêia.

A veíce é uma doença que dá em todo cristão.
Dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão.
Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o purmão
Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.

Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece.
Vai passano pelas ruas e as "minina" se oferece.
A gente óia tudo, benze a Deus e agradece,
Corre ligeiro pra casa, ou procura o INSS.

No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava.
Eu tinha namorada, tudo de bom sobrava.
As minina mai bonita, todas eu bolinava
E fudia todo dia, chega o bichim desbotava.

Mas tudo isso passô,
Faz tempo, ficô pra tráis
As coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz.
O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz.

Pra falá mesmo a verdade, nem trepá eu trepo mais.
Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça:
Cê pega a mulé, vai pra cama, aparpa, beija e abraça
Porém só faiz duas coisa: sorta peido e acha graça.

Duas de argentinos

Barack Obama e Nicolas Sarkozy estão num jantar na Casa Branca, centenas de convidados de vários países.

Um deles se aproxima e pergunta:

- Os senhores estão conversando de forma tão animada sobre o quê?
- Estamos fazendo planos para a terceira Guerra Mundial - diz Obama.
- Uau! - exclama o convidado - E quais são esses planos?
- Vamos matar 14 milhões de argentinos e um dentista - informa Sarkozy.

O convidado parece confuso e pergunta:

- Um... dentista? Mas por que é que vocês vão matar um dentista?

Sarkozy dá uma palmada nas costas de Obama e comenta:

- Não disse? Ninguém vai perguntar pelos argentinos!

*

Um americano, um brasileiro e um argentino sobreviveram a um naufrágio.

Nadaram, chegaram a uma ilha e perceberam que ela era habitada por nativos pouco amigáveis.

O brasileiro foi conversar com eles:

- Oi, somos sobreviventes de um naufrágio. Vocês poderiam nos ajudar? Podemos aguardar o salvamento aqui?
- Não, vocês não podem ficar aqui!
- Por favor, deixem-nos ficar, senão vamos morrer!!! Por favor!!!
- Tudo bem, tudo bem, mas para ficar aqui, cada um terá que nos trazer duas frutas!!!

Os três foram procurar as frutas: o americano voltou com uma ameixa e uma uva.

O nativo-mor falou:

- Agora, você coloca as duas frutas no cú. Se rir, morre!

O americano enfiou a ameixa. Beleza. Colocou a uva e... riu. Foi decapitado.

Mais tarde chegou o brasileiro, com um limão e um pêssego. Mesmas instruções, e a advertência:

- Se rir, morre!

O brasileiro colocou o limão... já tava terminando de botar o pêssego e... deu uma gargalhada: teve o pescoço cortado.

Mais tarde, os dois se encontram no céu e o brasileiro comenta com o americano:

- Você riu também, né?
- Pois é, a uva estourou, fez cosquinha, eu não agüentei e ri. E você?
- Ah!, eu fiz um tremendo sacrifício para colocar o limão. Quando tava enfiando o pêssego, vi o argentino chegando com uma jaca e um abacaxi... Caí na risada!!!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

PIADA DE BAR - Visão perfeita

Uma, rapidinha:

O marido, nu, olha-se no espelho e diz para a esposa:

- Estou tão feio: gordo, careca, ovos enormes, pelanca nos braços, cabelo no cu e nos ouvidos... tô broxa, acabado! Preciso urgentemente de um elogio...

E a esposa, elogiando:

- Sua visão está perfeita!

Liberou geral!

Na Argentina fumar maconha pode, traficar não

Quer fumar um baseado em paz? Então, mude-se e vá morar em Buenos Aires ou em qualquer outra cidade da Argentina.

É que a Suprema Corte de Justiça da Argentina declarou inconstitucional, hoje, a penalização de adultos que estejam portando “pouca quantidade” de maconha “para uso pessoal e sem riscos para terceiros”.

Por unanimidade, os sete juízes do mais alto tribunal argentino entenderam que essa é uma questão de privacidade e escapa à possibilidade de punição.

Os argumentos usados na decisão – com mais de oitenta páginas – foram a “proteção da intimidade, autonomia pessoal e a necessidade de não criminalizar quem é um doente e já é vítima do consumo da droga”.

Os magistrados, no entanto, ressalvaram que não decidiram pela “descriminalização” geral do consumo de maconha e outras drogas e defenderam ainda a “busca” e “condenação” dos traficantes de drogas.

Bendito, o bêbado erudito

Bendito respondeu na bucha à provocação do candidato babaca

Um político metido, besta, conversador de bosta e que estava em plena campanha à reeleição, chegou a Caicó para uma "jornada cívica": subiu na kombi de som estacionada em frente ao Bar de Ferreirinha e começou a discursar:

- Compatriotas, companheiros, amigos! Nos encontramos aqui convocados, reunidos ou ajuntados para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual é transcendente, importante ou de vida ou morte. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou ajunta, é minha postulação, aspiração ou candidatura a deputado estadual.
De repente, Toinho Analista, que estava tomando a sua cachaça habitual e ouvindo aquela baboseira no fim da tarde, pergunta ao candidato:

- Ei, por que é que o senhor utiliza sempre três palavras para dizer a mesma coisa?

E o candidato prolixo responde:

- Pois veja, meu senhor: a primeira palavra é para pessoas com nível cultural muito alto, como poetas, escritores, filósofos etc. A segunda é para pessoas com um nível cultural médio como o senhor e a maioria dos que estão aqui. E a terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural muito baixo, pelo chão, digamos, como aquele bêbado ali naquela calçada.

O bêbado era Bendito Fazendeiro, discurseiro, que imita perfeitamente alguns políticos norte-rio-grandenses, e estava no Cabaré dos Gatos, na calçada em frente ao Bar de Ferreirinha, bebendo desde às 10 horas da manhã, só o bagaço de tanto beber cana.

De imediato, Bendito se levanta cambaleando e responde, como se fosse o senador Zé Agripino, com aquela voz e tudo:

- Senhor postulante, aspirante ou candidato! (hic) O fato, circunstância ou razão de que eu me encontre (hic) em um estado etílico, mamado ou bêbo (hic) não implica, significa, ou quer dizer que meu nível (hic) cultural seja ínfimo, baixo ou ralé mesmo (hic). E com todo o respeito, estima ou carinho que Vossa "Esselença" merece (hic), pode ir agrupando, reunindo ou ajuntando (hic), seus pertences, coisas ou porqueiras (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir diretinho (hic) à leviana da sua genitora, à mundana de sua mãe biológica ou à puta que o pariu!

Hora do recreio


Sábado, 11 de julho deste ano, pingo do meio-dia, turina no fogo, cerveja gelada no Bar de Ferreirinha.

Preparativos para o Leilão de Sant'Ana, previsto pra 7 da noite na Granja Caiçara.

Lá ao fundo, o incansável Bibica de Barreira, futuro governador, vendendo uma rifa.

Tomando uma e rolando lero Marlon Datim, Zé Boré, Miltão do Cavalo e do Hospital e Raninho de Franciscquinha.

E, claro, uma filosófica discussão sobre os problemas mundiais...

É o mundo todo!


Até o Papa está seguindo o Bar de Ferreirinha no twitter.

Ele se cadastrou como seguidor desde ontem, às 9h22.

O Bar também segue o Papa no microblog.

É o mundo todo no Bar de Ferreirinha!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Hora do recreio


Essa foi na Festa de Sant'Ana do ano passado.

George, Marcelo Leal, Adelson Bufinha, Didi de Mané de Josino, Jandi Costa, "Seu" Bina e Fogo.

Reencontro de amigos no Bar de Ferreirinha: Jandi de Rondônia, Marcelo de Natal e Fogo de Brasília.

Os demais recepcionam e colocam os papos em dia.

E tudo mudou...

Luis Fernando Veríssimo

O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse

Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service

A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD

A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email

O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O break virou street

O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também

O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike

Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato

Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...

... De tudo.

Inclusive de notar essas diferenças