domingo, 2 de abril de 2017

A aposta


Ciduca Barros

Sabemos que o sujeito, para ter um bom tino comercial, muitas vezes, é desnecessário que ele seja um doutor. Todos nós conhecemos pessoas que, com poucos conhecimentos culturais, conseguiram vencer no mundo comercial, naturalmente, fruto de muitos anos de incansável trabalho e discernimento para aproveitar as oportunidades. 
Numa determinada cidade, três comerciantes, de algum destaque ali, eram reconhecidamente de baixa escolaridade e até personagens de algumas histórias jocosas. Naquela época, a reposição dos estoques de mercadorias do comércio das cidades do Seridó era, comumente, feita na cidade de Campina Grande (PB). Como eram amigos entre si, os três, semanalmente, viajavam juntos para aquela cidade paraibana, rodiziando seus respectivos veículos.
Quando em Campina Grande, os três comerciantes almoçavam sempre no mesmo restaurante (seria na Palhoça do Possidônio?) e a conversa ali era generalizada e solta (e cheia de erros de português, é claro). Então, dizem que, certa feita, eles resolveram fazer uma aposta. Se, na viagem do retorno para sua cidade, algum deles falasse uma palavra errada, na semana seguinte, pagaria o almoço.
Aposta fechada, daí baixou um estranho mutismo em todos eles. Na viagem de retorno nenhum deles disse uma única palavra. Conta a lenda que, na entrada da cidade, foi travado o seguinte diálogo:
– Cheguemu! – disse um deles.
– Nem erremu! – acrescentou um outro.
– Tamém num falemu! – murmurou o terceiro.

Escritor, funcionário aposentado do Banco do Brasil e colaborador do Bar de Ferreirinha
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