segunda-feira, 10 de abril de 2017

Do silêncio de Moacir

Fernando Antonio Bezerra


Os anos vão acumulando lembranças em nossa alma, algumas mais presentes, outras mais doídas e assim, de avanços e catabilhos, segue a vida em encontros e desencontros com a felicidade. Uma lembrança presente, ainda resistente na crença do que aconteceu, mesmo depois de quase sete anos, foi a partida de Moacir Maurício Dantas para o horizonte que a fé nos faz enxergar. Talvez porque ele era alegre, vivia a vida com a crítica do humor e com a inquietude do trabalho.
Moacir Maurício Dantas era de 1941, nascido aos 11 de outubro, filho de Marcos Pereira Dantas e Teresa Pereira Dantas. Nasceu em São José do Seridó-RN, terra de gente inteligente. Estudou até a quarta série primária. Viveu muitos anos em Cruzeta-RN onde estreitou os laços com a Igreja Católica. Casou-se aos 21 anos, com Avani Azevedo, com quem teve três filhos: Maria das Graças, Sulivan (falecida ainda bebê) e Fabrízio. Enviuvou em 1975 e, no mesmo ano, casou-se com Helena Azevedo dos Santos, aos 9 de novembro, com quem teve mais cinco filhos: Fabiane, Vivianne, Fabíola, Fabiano e Moacir Júnior. Trabalhou a vida inteira na Diocese de Caicó, primeiro como motorista de Dom Manuel Tavares, depois como técnico da Emissora de Educação Rural de Caicó, sendo um de seus fundadores. Faleceu no dia 7 de novembro de 2010 deixando uma legião de amigos, um legado de honradez, trabalho e filantropia.
Helena e Moacir
Desde 1979 passou a ser um dos mais assíduos membros da Maçonaria caicoense, ingressando e fazendo carreira de sucesso na Loja Regeneração do Seridó. Ocupou cargos e funções, chegando a presidir a Loja em Caicó e a ser Grão-Mestre Adjunto na “Grande Loja do Rio Grande do Norte”, uma espécie de Federação de Lojas Maçônicas. Foi fundador de Lojas, dentre as quais, a de São João do Sabugi que homenageia o maçom Manoel Abigail, onde foi Presidente durante vários anos e para a qual dedicava especial atenção. Era sua intenção fundar, a partir da Loja de São João do Sabugi, um Capítulo da respeitável Ordem DeMolay, organização juvenil filantrópica alicerçada na máxima de que “educando-se o jovem estaremos nos eximindo da tarefa de ter que castigar o adulto”. Mesmo com a sua morte, os Maçons sabugienses levaram o projeto à frente e criaram o Capítulo DeMolay nº783 Moacir Maurício Dantas, em justa homenagem ao seu idealizador.
Ainda como Maçom teve particular atuação em diversas campanhas filantrópicas em Caicó e foi um dos líderes da construção da sede e área de lazer da Loja Regeneração do Seridó no bairro Barra Nova. Indiscutivelmente não se escreve a história recente da Maçonaria caicoense sem falar na destacada participação de Moacir Maurício Dantas.
Como técnico, também atuou na repetidora de televisão no tempo em que Caicó tinha apenas o sinal da TV Globo vindo de Recife. Aliás, tempo em que quando a emissora saia do ar a primeira providência era ligar para a casa de Moacir perguntando quando o sinal estaria restabelecido.
Foi um grande colaborador dos Bispos de Caicó, com especial proximidade a Dom Manuel Tavares de Araújo e a Dom Heitor de Araújo Sales que, aliás, de quem se tornou um grande amigo e compadre. Também era pessoa de confiança e amigo estimado de Monsenhor Ausônio Tércio de Araújo e teve a alegria, em vida, de ver um filho seu fazer opção pelo sacerdócio: Padre Fabiano Maurício Dantas, ordenado no dia 6 de janeiro de 2007. A propósito, um outro filho – Fabrízio – é técnico de rádio e tv, sucessor do pai na genialidade de apoiar a comunicação.
Moacir se despediu da vida bailando com Helena, em passos firmes e cadenciados de amor a família, respeito aos amigos e reverência as coisas sagradas. Partiu sem despedidas. Estava em uma festa em Serra Negra do Norte, promovida pela Loja Maçônica de São João do Sabugi, quando, depois de dançar com a esposa, reclinou a cabeça no ombro dela e partiu silenciosamente, como era próprio de seu estilo discreto.


Fernando Antonio Bezerra é potiguar do Seridó e escreve às segundas-feiras
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