sexta-feira, 14 de abril de 2017

Vidraça

Rubens Alves

Algumas pessoas olham através da vidraça, discutem sobre
 uma casa que estão vendo, ao longe. Uma das pessoas
 diz que aquela casa é habitada por um nobre, de
 hábitos aristocráticos e conservadores. Outra diz o
 contrário, que lá mora um operário, membro do
 sindicato, revolucionário. Uma terceira diz que os dois
 primeiros estão errados: ele vê a casa, mas a casa está
 vazia. Ninguém mora nela. Ela está vazia. Pedem a
 minha opinião. Eu me aproximo, eles apontam através
 do vidro, na direção da casa. Olho, olho, e concluo que
 alguma coisa deve estar errada com os meus olhos. Eu
 não vejo casa alguma. O que vejo são os reflexos do
 meu próprio rosto, nos vidros da vidraça.


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